Em muitas relações, o mal-estar do outro é vivido como responsabilidade própria.
Um comentário atravessado, um silêncio, uma mudança de humor,
e logo surge a culpa, como se algo precisasse ser consertado por você.
Quando os limites entre o que é seu e o que é do outro ficam confusos,
emoções alheias passam a ser carregadas como falhas pessoais.
Cuidar, antecipar e sustentar o clima emocional tornam-se formas de preservar o vínculo,
ainda que isso aconteça às custas do próprio equilíbrio.
Separar o que é seu do que pertence ao outro não é se afastar,
mas reconhecer onde termina a sua responsabilidade emocional.
Essa diferenciação não empobrece os encontros,
ela alterna a forma como eles são vividos, reduzindo a confusão interna e a sobrecarga silenciosa.
O desconforto pode continuar existindo. A culpa também pode aparecer.
O que se modifica não é a presença desses afetos, mas relação que se estabelece com eles,
que deixa de ser automática e passa a poder ser reconhecida e sustentada, sem que precise definir, por si só, o rumo do vínculo.
Marcel Cardoso · CRP 06/161086
Psicologia Clínica · Terapia Psicodinâmica
