Há pessoas que vivem com a sensação de precisar ser importantes o tempo todo.
Não por vaidade, mas pela tentativa de sustentar alguma estabilidade interna,
como se o próprio valor dependesse de ser reconhecido, lembrado, necessário.
Quando isso se articula com a ansiedade, o funcionamento se intensifica.
A mente não desacelera.
Os pensamentos giram em torno de como está sendo visto,
do que o outro pensa,
do risco de perder espaço.
Mais do que querer ser importante, trata-se de não suportar a possibilidade de não ser.
O reconhecimento deixa de ser algo desejável e passa a ser necessário para aliviar a tensão.
As escolhas começam a se organizar em torno disso.
O esforço aumenta.
A entrega se intensifica.
Mas a sensação de suficiência não se sustenta.
Porque a ansiedade retorna, e com ela, a necessidade de reafirmar, mais uma vez, o próprio lugar.
Olhar para esse funcionamento não implica abrir mão do desejo de reconhecimento.
Implica compreender o que está sendo sustentado ali, e o custo de depender disso para se sentir em paz.
Marcel Cardoso · CRP 06/161086
Psicologia Clínica · Psicoterapia
