O abraço também é uma forma de linguagem

O ser humano é mente e corpo ao mesmo tempo. O que pensamos e o que sentimos não acontecem separados. Tudo ocorre dentro de um mesmo organismo. Por isso, amar e ser amado envolve conexão para além das palavras. Envolve também o corpo.

Beijo é afeto. Sexo também. Abraço é encontro.

Esses gestos representam mais do que simples movimentos físicos. São formas de presença. O abraço, por exemplo, é um enlace entre dois corpos que se reconhecem naquele momento. Quando duas pessoas se abraçam com alguma abertura para o encontro, muitas coisas podem acontecer sem que nenhuma palavra seja dita.

A respiração de um pode influenciar a do outro. O ritmo do corpo pode desacelerar. Às vezes, quando um se acalma nos braços do outro, essa calma se torna visível. Tudo isso não acontece apenas pelo contato físico, mas pela intenção que acompanha esse gesto.

A intenção muda o sentido do afeto.

Não se trata de um abraço automático entre tarefas, nem de um gesto apressado que logo se desfaz. Às vezes, permanecer alguns instantes ali, apenas sentindo a presença do outro, pode reativar uma forma de conexão que as palavras nem sempre conseguem produzir.

Isso não resolve conflitos por si só, nem substitui conversas difíceis que precisam acontecer. Mas pode lembrar algo simples e profundo ao mesmo tempo: antes de serem dois lados de uma discussão, são dois corpos que um dia escolheram se aproximar.

E, às vezes, reencontrar essa proximidade começa por algo tão simples quanto permanecer um pouco mais no abraço.

Pequenos gestos muitas vezes revelam mais sobre o vínculo do que longas conversas. Se esse tema despertou alguma reflexão, outros textos no blog exploram diferentes aspectos da vida afetiva e relacional.

Marcel Cardoso – CRP: 06/161086

Psicologia Clínica – Terapia Integrativa com Base Psicanalítica

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Rolar para cima