Amor não se sustenta apenas como sentimento. Ele também aparece nos gestos, nas escolhas cotidianas e na maneira como duas pessoas se aproximam ao longo do tempo. Em outras palavras, amar também é algo que se faz.
Casais que mantêm algum calor de afeto costumam preservar pequenas formas de conexão como um toque mais demorado, um olhar que encontra o outro, uma risada compartilhada, uma conversa que não está ali apenas para resolver tarefas do cotidiano.
Quando a relação começa a esfriar, esses sinais tendem a mudar. Os beijos diminuem, os abraços ficam mais breves, o sexo se torna mais espaçado e as conversas passam a girar principalmente em torno de questões práticas.
Isso não significa necessariamente o fim do amor. Muitas vezes indica apenas um esfriamento do vínculo.
O próprio Sigmund Freud viveu algo semelhante. No início de sua relação com Martha Bernays, as cartas trocadas entre os dois eram intensas e apaixonadas. Com o passar dos anos de casamento, a correspondência tornou-se mais prática, por vezes reduzida a assuntos do cotidiano.
De certo modo, isso é esperado nas relações duradouras. Toda fogueira tende a diminuir de intensidade à medida que a lenha se transforma em brasa. A questão não é evitar que o fogo diminua, isso faz parte da vida, mas perceber se ainda existe disposição para alimentá-lo.
Às vezes, eventos marcantes reaproximam o casal: uma viagem, uma mudança importante na vida ou até mesmo uma dificuldade enfrentada juntos. Em outros casos, são pequenos gestos cotidianos que ajudam a reacender a proximidade.
Nem sempre é preciso um grande acontecimento. Às vezes, o vínculo começa a aquecer novamente quando duas pessoas voltam a prestar atenção uma na outra.
Relações atravessam fases, mudanças e reacomodações ao longo do tempo. Se essa reflexão fez sentido para você, há outros ensaios no blog sobre vínculos, conflitos e encontros na vida amorosa.
Marcel Cardoso – CRP: 06/161086
Psicologia Clínica – Terapia Integrativa com Base Psicanalítica
