Como esquecer alguém que você ama?

Entenda por que esse desejo é uma parte ativa da sua cicatrização emocional

Quando uma pessoa sofre com o fim indesejado de um relacionamento, é comum que a lembrança da pessoa amada gere memórias e dores. Um impulso esperado nesses casos é o de tentar esquecer a pessoa o mais rápido possível.

Isso ocorre não porque a pessoa quer realmente esquecer o outro, mas porque quer parar de sofrer.
Lembrar do outro = sofrer.
Logo, esquecer a pessoa = reduzir o sofrimento.

Isso é humano. E, dependendo do caso, pode ser entendido como um movimento de autopreservação, do self tentando se proteger da dor.

Entretanto, há uma armadilha psíquica bastante refinada em funcionamento nesses momentos: desejar esquecer o outro, por si só, já é pensar na pessoa. Ou seja, quando se tenta esquecer, está-se lembrando.


Outro ponto importante a considerar: quanto mais lutamos contra uma lembrança ou um pensamento, quanto mais resistimos, mais esse pensamento tende a se manter. É como se, ao lutar contra, estivéssemos agarrando essa lembrança. É irônico. E dói.

Esquecer alguém após o encerramento de um relacionamento é um processo. Infelizmente, não existe uma fórmula pronta para isso. No início, a lembrança está muito viva. A dor também.

Com o passar do tempo, a mente começa a se distanciar do último episódio do relacionamento. Outros capítulos da vida vão surgindo, e tudo vai ficando mais espaçado, menos intenso. A lembrança não some, mas a ativação emocional tende a oscilar e, em muitos casos, diminuir.


Esquecer a pessoa deixa de ser uma urgência porque a dor emocional deixa de ser aguda. É como uma ferida no joelho. Na hora em que machuca, sentimos uma onda de choque e a percepção clara de que algo deu errado. Nos primeiros momentos, a dor é grande e tudo o que queremos é que ela acabe.

Depois de um tempo, ainda dói, mas menos. Mais adiante, só dói quando mexe demais. Passados alguns dias, você até esquece que está cicatrizando, e só sente dor quando cutuca e rompe a cicatriz.

A dor emocional pelo fim de uma relação funciona de forma semelhante. Vai doer. Recursos de apoio ajudam para que não complique. Com o tempo, a ferida cicatriza e a dor vai reduzindo.

Se a dor estiver muito elevada a ponto de se tornar insuportável, ou se se mantiver intensa sem redução ao longo das semanas, a ponto de comprometer o funcionamento da vida, é recomendável buscar ajuda.

Esquecer não é apagar alguém da memória. É aprender a lembrar sem que a lembrança machuque. E isso envolve tempo.

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Às vezes compreender sozinho não basta. Quando a dor de um termino continua se repetindo na vida emocional, conversar em um espaço clínico pode ajudar a elaborar a experiência com mais clareza e menos sofrimento:

👉 Início – Psicologo Marcel Cardoso

Marcel Cardoso · CRP 06/161086

Psicologia Clínica · Terapia orientada pela Psicanálise

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